3. Qualea cordata Spreng., Syst. Veg. 1: 17. 1824. (Figs. 2 C; 5 A-E)

Nome popular: cascudo (Stafleu 1953).

Árvores, 3-18 m alt. Caule e ramos tortuosos, ramos com casca não descamante, pubescentes. Folhas opostas decussadas, glândulas axilares crateriformes, estípulas ca. 1 mm compr.; pecíolo 1-1,2 cm compr.; lâmina foliar 7,5- 11,8 × 3,9-6,5 cm, oblonga a oblongo-ovada ou oblongoelíptica, coriácea, ápice obtuso, arredondado ou agudo, base obtusa, arredondada ou inconspicuamente cordada, margem inteira, plana, eucamptódroma, face adaxial glabra ou glauca, nervuras primária e secundárias impressas, face abaxial pubescente, nervuras primária e secundárias proeminentes. Inflorescências terminais, cilíndricas, 7-9 cm compr., pubescentes; cíncinos 1-3-floros; pedúnculos ausentes; pedicelos 3-4 mm compr.; brácteas caducas; botões florais 0,6-1 × 0,5-0,6 cm, retos, ovoides, ápice obtuso; lobo do cálice bursiforme 1-1,1 × 5 mm; lobos do cálice não bursiformes 5-7 × 4-5 mm, ovais, ápice obtuso; 1 pétala, 1,4-2 × 1,5-2 cm, obcordada, branca com manchas roxas, serícea na face adaxial, pubescente na face abaxial. Estame ca. 1,2 cm compr., filete ca. 8 mm compr., antera ca. 4 × 1 mm, glabra. Ovário 3-5 × 3-4 mm, globoso, tomentoso; estilete ca. 8 mm compr., cilíndrico, tomentoso na base e glabro no ápice; estigma terminal. Cápsulas 1,5-2,5 × 0,7-0,9 cm, elipsoides, ápice apiculado, base arredondada, superfície verrucosa, não descamante, glabra; sementes 1-1,5 × 0,4-0,5 cm, aladas, 3-4 por lóculo.

Material selecionado: BRASIL, GOIÁS, Cocalzinho, estrada de terra saída para a Fazenda Bombaça, proprietário Sr. Isidoro, 15° 44’ 47” S, 48° 45’ 13” W, 1.115 m, 22.III.2002, fr., M.A. da Silva et al. 5132 (HUEFS, IBGE, NY, US); Pirenópolis, Serra dos Pireneus, solo argiloso/ pedregoso, relevo ondulado, 15° 48’ 25” S, 48° 53’ 15” W, 1.165 m, 15.VIII.2002, fl., M.L. Fonseca et al. 3507 (IBGE).

Qualea cordata ocorre no Brasil (Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo) e também na Bolívia e Paraguai. Na Serra dos Pireneus ocorre em ambientes de cerrados sensu stricto, campos rupestres, matas de galeria e florestas estacionais.

Esta espécie apresenta três variedades, a variedade típica, Q. cordata var. dichotoma (Mart.) M.L.Lisboa & K.Yamam. e Q. cordata var. elongata (Warm.) T.Samp. & A.M.Teles. As duas últimas variedades eram tratadas anteriormente como variedades de Q. dichotoma (Mart.) Warm. Lisboa (2000) propôs a sinonimização de Q. dichotoma em Q. cordata e novas combinações para Q. cordata, porém Yamamoto (2009) validou a nova combinação de Q. cordata var. dichotoma e Sampaio & Teles (2017) propuseram a nova combinação de Q. cordata var. elongata .

Flora do Brasil 2020 ainda não reconheceu essas variedades e trata a variedade dichotoma como espécie, mesmo com as sinonimizações e novas combinações já efetivadas. Assim, neste trabalho consideramos todas as variedades de Q. dichotoma como variedades de Q. cordata . Na área de estudo ocorre apenas a variedade elongata que difere de Q. dichotoma var. cordata por apresentar folhas pubescentes (vs. glabras) e difere da variedade típica por possuir maior estatura (até 20 m alt. vs. 6 m) e folhas, via de regra, também maiores (Sampaio & Teles 2017). O táxon encontrado na Serra dos Pireneus difere das demais espécies de Qualea ocorrentes na área por apresentar um lobo do cálice com protuberância bursiforme no lugar de um cálcar desenvolvido.